F2 · Aula 9

Roma antiga II

1. Expansão romana

Domínio da península itálica e, nas Guerras Púnicas (264-146 a.C.), derrota de Cartago e de Aníbal, com a destruição da cidade. Segue-se a conquista da Macedônia, da Grécia, do Oriente e das Gálias, por César. O Mediterrâneo torna-se o Mare Nostrum.

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A expansão romana começa com o domínio da península itálica e se consolida nas Guerras Púnicas contra Cartago (264-146 a.C.), das quais Roma sai vitoriosa com Cipião Africano na Segunda Guerra e com a destruição final de Cartago por Cipião Emiliano na Terceira. Depois, Roma avança para o Mediterrâneo oriental, submetendo a Macedônia (168 a.C., em Pidna) e a Grécia (146 a.C., com a destruição de Corinto), e anexa o Reino de Pérgamo (133 a.C.), herdado por Átalo III. No Ocidente, Júlio César conquista as Gálias entre 58 e 51 a.C., episódio narrado em seu De Bello Gallico, que consolida a fama e o poderio do general e explica a expressão Mare Nostrum aplicada ao Mediterrâneo.

O tema costuma ser cobrado em provas relacionadas às consequências internas da expansão: a afluência de riquezas, escravizados e províncias desestrutura a economia camponesa, gera desemprego em Roma, fortalece a plebe urbana e os generais vitoriosos, e abre caminho para as tensões sociais que levam aos irmãos Graco e, mais tarde, às guerras civis que põem fim à República. Exemplo clássico: a formação dos latifúndios com mão de obra escrava expulsa pequenos proprietários, que migram para a cidade e engrossam a clientela dos generais. As questões costumam pedir a relação entre conquista militar e crise republicana, ou a comparação entre o domínio romano e o imperialismo moderno.

As consequências da expansão romana

Entrada maciça de escravizados, ruína dos pequenos proprietários, formação de latifúndios e êxodo para Roma, gerando a plebe urbana sustentada por “pão e circo”. As tentativas de reforma agrária dos irmãos Graco foram esmagadas, abrindo o ciclo de guerras civis.

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O ponto central que o resumo não explicita é o mecanismo econômico por trás de toda essa transformação: a expansão romana pelo Mediterrâneo — consolidação da hegemonia sobre a Itália, vitórias sobre Cartago nas Guerras Púnicas (264–146 a.C.), conquista da Grécia, da Macedônia, da Gália e do Egito — inundou a península de riqueza, mão de obra cativa e, sobretudo, terra pública (ager publicus) conquistada e redistribuída de forma desigual entre a aristocracia senatorial, enquanto as campanhas militares prolongadas afastavam o camponês-soldado de suas pequenas propriedades por anos seguidos. Esse é o nexo que os examinadores gostam de cobrar: a mesma guerra que trouxe poder a Roma destruiu sua base social tradicional, pois o soldado voltava endividado, vendia o lote ao grande proprietário e migrava para a cidade.

Como exemplo concreto, cita-se o Tibério Graco, tribuno da plebe em 133 a.C., que tentou aplicar a Lei Licínia Sextia, limitando a ocupação do ager publicus a 500 jeiras por família e redistribuindo o excedente aos pobres; foi assassinado no próprio ano de seu tribunato, e seu irmão Caio Graco, dez anos depois, sofreu o mesmo destino — prova de que o Senado não admitia tocar no monopólio fundiário.

Para os vestibulares, o tema aparece de quatro formas recorrentes: (1) na Fuvest e Unicamp, como relação de causa e consequência entre imperialismo, latifúndio escravista e êxodo rural, exigindo que o aluno conecte economia e política sem tratar os fatos isoladamente; (2) no ENEM, em questões interdisciplinares sobre reforma agrária e concentração de terras, comparando Roma a contextos contemporâneos brasileiros ou latino-americanos; (3) no ITA e nas federais, cobrando cronologia precisa (133 a.C. como marco da crise, Mário e Sula como desdobramento militar da crise agrária, Júlio César e Otávio como fechamento do ciclo) e vocabulário técnico como optimates e populares; (4) em questões de fonte, com texto de Apiano, Plutarco ou Salústio exigindo interpretação da violência como sintoma da falência do modelo republicano, não como causa acidental.

2. Império Romano (27 a.C.-476 d.C.)

Após o assassinato de César e a vitória de Otávio em Ácio, o Senado concede-lhe o título de Augusto em 27 a.C. Inicia-se o Alto Império e a Pax Romana: dois séculos de estabilidade, obras públicas, direito romano e difusão do cristianismo.

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O Império Romano deve ser entendido menos como uma ruptura com a República e mais como a sua conclusão disfarçada: Otávio preservou as instituições republicanas — o Senado, as magistraturas, os consulados —, mas concentrou em si todos os poderes reais, recebendo do Senado o título de Princeps ("primeiro cidadão") e, em 27 a.C., o de Augusto; é esse arranjo que os historiadores chamam de Principado, uma monarquia de fato travestida de república. O exemplo concreto mais revelador é o próprio Pax Romana sob os Antoninos: durante os quase dois séculos entre Augusto e Marco Aurélio, Roma consolidou fronteiras, integrou províncias por meio de estradas, aquedutos, colônias e da extensão da cidadania, e produziu um direito que ainda hoje influencia os códigos civis modernos.

Após a Dinastia Júlio-Claudiana (Tibério, Calígula, Cláudio e Nero) e o breve interlúdio dos Flávios, o auge veio com Trajano, que levou o império à sua máxima extensão territorial, e Adriano, que optou por consolidar fronteiras com muralhas defensivas, como a que leva seu nome na Britânia. A partir do século III, porém, o sistema entrou em colapso: pressão dos povos germânicos nas fronteiras, anarquia militar com imperadores sendo aclamados e depostos pelas legiões, crise econômica, inflação e queda da arrecadação levaram às reformas de Diocleciano, que dividiu o império em Tetrarquia, e à posterior divisão definitiva entre Ocidente e Oriente.

Enquanto o Oriente sobreviveu como Império Bizantino por mais mil anos, o Ocidente sucumbiu em 476 d.C., quando Odoacro depôs Rômulo Augústulo — marco simbólico do fim da Antiguidade.

Dinastias: Júlio-Claudiana, Flávios, Antoninos, Severos

Júlio-Claudiana: Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. Flávios: Vespasiano e Tito, com o Coliseu e a destruição do Templo de Jerusalém. Antoninos: Trajano, Adriano e Marco Aurélio — o apogeu territorial e os “cinco bons imperadores”. Severos: já em crise, com a cidadania estendida em 212.

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O Império Romano não deve ser lido como mera continuação da República, mas como uma engenharia política nova, na qual o príncipe concentrava o poder real — o comando do exército, o controle das províncias e a auctoritas — enquanto preservava as formas republicanas (senado, magistraturas, eleições) como fachada legitimadora, o que os historiadores chamam de Principado. O exemplo concreto está em Augusto, que, após vencer Marco Antônio em Ácio (31 a.C.), preferiu o título de princeps senatus e de "restaurador da República" a rei ou ditador, acumulando em si o imperium proconsular e o poder tribunício vitalício: governava de fato, mas encenava modéstia institucional.

Nessa linha, a dinastia Júlio-Claudiana revela o problema nunca resolvido da sucessão, pois o poder não era formalmente hereditário; por isso Calígula e Nero oscilaram entre o despotismo helenístico e o confronto com o senado, o que os levou à damnatio memoriae e abriu o ano dos quatro imperadores (69 d.C.), episódio em que as legiões provinciais, não Roma, decidiram quem reinaria — prova de que o exército se tornara o verdadeiro árbitro do poder. Os Flávios, com Vespasiano, buscam recompor isso: reorganizam as finanças, constroem o Coliseu como monumento de massas e Tito esmaga a revolta judaica, saqueando o Templo de Jerusalém e reforçando a imagem imperial de vencedor universal.

Já a dinastia Antonina representa o auge: Nerva inaugura a adoção do melhor sucessor em vez do filho biológico, permitindo que Trajano leve as fronteiras ao máximo (Dácia, Mesopotâmia), Adriano as fortifique (muralha na Britânia) e Marco Aurélio escreva as Meditações enquanto enfrenta germanos e partos — sinal de que a pressão externa já era permanente. Com os Severos, o quadro se degrada: Septímio Severo apoia-se abertamente nas legiões, paga-lhes e as coloca na política, e a Constituição Antoniniana (212), de Caracala, estende a cidadania a quase todos os homens livres do império não por idealismo, mas para ampliar a base tributária e recrutar soldados, sintoma de um Estado que precisava de dinheiro e homens.