F2 · Aula 31

As Revoluções Atlânticas: Haiti e Caribe

A Revolução Haitiana

Em São Domingos, colônia francesa mais rica do mundo, os escravizados se rebelaram em 1791 sob Toussaint Louverture e depois Dessalines. Foi a única revolta de escravizados vitoriosa da história: independência em 1804, primeira república negra das Américas. Como punição, o país foi isolado e obrigado a indenizar a França. Virou exemplo temido pelas elites escravistas.

Aprofundar

A Revolução Haitiana insere-se no ciclo das Revoluções Atlânticas, quando os ideais iluministas de liberdade e igualdade circularam pelo Caribe e entraram em choque com a economia açucareira escravista. O ponto decisivo foi a Revolução Francesa: a Declaração dos Direitos do Homem (1789) e a execução de Luís XVI (1793) abriram uma brecha que escravizados e gens de couleur (mestiços livres) aproveitaram para questionar a ordem colonial, agravada pela guerra entre França, Espanha e Inglaterra pelo controle da ilha. Em 1791, a cerimônia de Bois-Caïman, liderada por Boukman, deflagrou a insurreição; em 1793, Sonthonax decretou a abolição para atrair aliados, confirmada pela Convenção em 1794.

Toussaint Louverture então expulsou ingleses e espanhóis, mas foi traído por Napoleão, que tentou restabelecer a escravidão; preso, morreu na França em 1803. Jean-Jacques Dessalines venceu os franceses em Vertières e proclamou a independência em 1º de janeiro de 1804, batizando o país com o nome indígena Haiti. O exemplo concreto costuma ser comparado à Revolução Cubana (1959) ou à Revolta dos Malês (1835), na Bahia, evidenciando redes de resistência negra no Atlântico.