1. Cuba
Independente da Espanha em 1898, caiu sob tutela americana pela Emenda Platt, que autorizava intervenções e garantiu a base de Guantánamo. Economia de monocultura açucareira controlada por capital dos EUA, com Havana como destino de cassinos e máfia sob a ditadura de Batista.
Aprofundar ▾
Aprofundando o tema, o essencial é entender que a Revolução Cubana de 1959 não foi um raio em céu azul, mas a resposta a décadas de dependência estrutural e desigualdade social. O conceito-chave aqui é o de neocolonialismo: mesmo após a independência formal, Cuba permaneceu atrelada aos EUA por mecanismos econômicos, jurídicos e militares, como a Emenda Platt (revogada só em 1934) e a Política da Boa Vizinhança de Roosevelt, que trocou intervenção armada por controle financeiro. Nesse arranjo, a ilha virou fornecedora de açúcar bruto e importadora de manufaturados, gerando uma economia de enclave: em 1958, os EUA compravam cerca de 70% das exportações cubanas e controlavam quase toda a rede de usinas, ferrovias e telefonia.
O exemplo concreto é o próprio assalto ao Quartel Moncada (1953), liderado por Fidel Castro: embora tenha fracassado militarmente, expôs a miséria do oriente cubano e transformou a luta armada em bandeira política, culminando na guerrilha da Sierra Maestra e na queda de Batista em 1º de janeiro de 1959. Em seguida, a Reforma Agrária de 1959 e as nacionalizações de 1960 quebraram o domínio da United Fruit e de outros trustes, provocando o embargo americano e o alinhamento com a URSS — que levaria à Crise dos Mísseis (1962), quando o mundo chegou perto da guerra nuclear.
A. Revolução Cubana (1953-1959)
Começa com o assalto ao Quartel Moncada (1953) e o discurso "A história me absolverá", de Fidel Castro. Após o exílio, o desembarque do iate Granma e a guerrilha na Sierra Maestra, com Che Guevara e Camilo Cienfuegos, derrubam Batista em janeiro de 1959.
Aprofundar ▾
A Revolução Cubana insere-se no contexto da Guerra Fria e do longo domínio econômico dos EUA sobre a ilha desde a independência formal de 1902, garantido pela Emenda Platt e por governos como o de Fulgêncio Batista, aliado Washington e chefe de uma ditadura corrupta e repressiva após o golpe de 1952. O movimento de Fidel Castro era inicialmente nacionalista e democrático, não socialista: o próprio discurso "A história me absolverá" defendia a restauração da Constituição de 1940, reforma agrária, nacionalização de serviços públicos e fim da dependência externa.
Em síntese, a Revolução Cubana deve ser entendida como um processo em duas etapas — a luta armada contra Batista e a posterior construção de um Estado socialista de partido único sob influência soviética —, resultando em avanços sociais reconhecidos, como saúde e educação, e em limites políticos duradouros, como o autoritarismo e o embargo que ainda hoje condicionam a ilha.
B. Cuba na Guerra Fria
Reforma agrária e nacionalizações levam ao embargo americano e à aproximação com a URSS, com a revolução declarada socialista em 1961. Seguem-se a fracassada invasão da Baía dos Porcos (1961) e a Crise dos Mísseis (1962). Cuba tornou-se referência para a esquerda latino-americana e justificativa para golpes militares.
Aprofundar ▾
A Revolução Cubana só adquire pleno sentido histórico quando inserida na lógica da Guerra Fria, pois foi justamente a bipolarização mundial que transformou um movimento nacionalista de raízes antimperialistas em peça central do xadrez geopolítico entre Washington e Moscou; após 1959, o governo de Fidel Castro aprofundou medidas de caráter social — como a Reforma Agrária de maio de 1959, que desapropriou latifúndios e atingiu diretamente a United Fruit Company — e, diante da reação americana, que já em 1960 impôs o embargo econômico (formalizado e ampliado em 1962), Cuba aproximou-se da URSS, declarando o caráter socialista da revolução em abril de 1961, dias antes da fracassada invasão da Baía dos Porcos, financiada e treinada pela CIA com exilados cubanos; como resposta direta a essa invasão, os EUA lançaram a Operação Mongoose, conjunto de sabotagens e planos de assassinato contra Fidel, o que evidencia a espiral de hostilidades que culminou na Crise dos Mísseis de outubro de 1962, quando a instalação de mísseis soviéticos na ilha levou o mundo à beira de uma guerra nuclear, encerrada por um acordo em que Kruschev retirou os artefatos em troca da promessa americana de não invadir Cuba e da retirada de mísseis dos EUA da Turquia — episódio que, aliás, ilustra como a soberania cubana foi simultaneamente afirmada e limitada pela dinâmica das superpotências.
Em síntese, o que se espera do candidato é a compreensão de que Cuba na Guerra Fria não foi apenas vítima ou peão, mas ator que soube explorar o conflito Leste-Oeste para sobreviver e projetar influência, ainda que ao custo de um embargo que, somado ao colapso soviético em 1991, mergulhou o país no Período Especial e em décadas de isolamento econômico, tornando o caso cubano um dos mais duradouros e controversos legados da Guerra Fria no continente americano.