1. Governo do general Ernesto Geisel (1974-1979)
Inicia a abertura "lenta, gradual e segura", conduzida pelo próprio regime. Enfrenta a linha dura: após as mortes de Vladimir Herzog (1975) e Manuel Fiel Filho, demite o comandante do II Exército. Aplica o Pacote de Abril (1977), com os "senadores biônicos", e revoga o AI-5 no fim do mandato.
Aprofundar ▾
O governo Geisel representa o auge da estratégia de distensão controlada: a ideia de que a própria cúpula militar conduziria uma liberalização "pelo alto", evitando tanto a continuidade indefinida da ditadura quanto uma abertura que pudesse ser capturada pela esquerda. O exemplo concreto mais emblemático é a demissão do general Sylvio Frota do Ministério do Exército, em 1977: ao perceber que a linha dura articulava uma candidatura presidencial própria, Geisel o demitiu na véspera da sucessão, num gesto de força que garantiu a indicação de Figueiredo e deixou claro que a transição não seria interrompida. Aprofundando: o Pacote de Abril não foi apenas uma manobra eleitoral para garantir maioria no Congresso — ele revela a lógica de que a abertura se daria sem risco de perda de controle, combinando cassações, adiamento de eleições e a criação do senador "biônico" para blindar o governo.
Além disso, o fim do AI-5 em 1978 não significou redemocratização: leis de segurança nacional e a Lei Falcão mantiveram o aparato repressivo ativo.