1. As colônias portuguesas
Diferente das demais potências, Portugal resistiu à descolonização sob o regime salazarista, enfrentando guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau desde o início dos anos 1960. A independência só veio após a Revolução dos Cravos (1974) em Portugal, que derrubou a ditadura: Moçambique e Angola tornam-se independentes em 1975.
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O caso português ilustra como a descolonização africana foi tardia e violenta justamente por se entrelaçar à Guerra Fria: Salazar, e depois Marcelo Caetano, tratavam Angola, Moçambique e Guiné-Bissau como províncias ultramarinas, e não colônias, o que impedia qualquer negociação de independência e transformava a recusa em guerra permanente. Exemplo concreto e decisivo é a Guiné-Bissau, onde o PAIGC de Amílcar Cabral combinou guerrilha rural com a conquista de territórios libertados e obteve apoio sobretudo da China, da União Soviética e de países africanos vizinhos, proclamando a independência em 1973, reconhecida internacionalmente, embora Portugal só a aceitasse após 1974, o que mostra que o apoio externo foi relevante mas o êxito militar e político foi essencialmente interno.
Em Moçambique, a FRELIMO, fundada por Eduardo Mondlane e depois liderada por Samora Machel, enfrentou a partir de 1964 uma guerra de libertação com forte apoio da Tanzânia e de países socialistas, tornando-se independente em 1975 e adotando um projeto marxista-leninista; a RENAMO, apoiada pela Rodésia e depois pela África do Sul, mergulhou o país numa guerra civil devastadora de 1977 a 1992. Em Angola, a independência de 1975 precipitou o conflito entre MPLA, FNLA e UNITA, com intervenção cubana e soviética ao lado do MPLA e apoio sul-africano e americano aos adversários, num dos episódios mais sangrentos do proxy war africano.