1. A Rússia de Iéltsin (1991-1999)
Após o colapso da URSS, Boris Iéltsin conduz uma transição caótica ao capitalismo — a "terapia de choque" —, com hiperinflação, colapso do padrão de vida e privatizações que criaram uma nova classe de oligarcas bilionários a partir da apropriação de ativos estatais. O período é marcado por instabilidade política e perda de prestígio internacional da Rússia.
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Aprofundando: Iéltsin chega ao poder em 1991 como o presidente que enterrou o Sovietismo, mas o custo foi uma década de desmonte econômico sob a orientação de economistas ocidentais, o chamado Consenso de Washington. O caso mais emblemático é o programa de vouchers de privatização: cada cidadão recebeu um papel que representava uma fração das estatais, mas, sem informação ou capital, a maioria vendeu os vouchers por migalhas a intermediários, que os concentraram e se tornaram donos de setores estratégicos. Exemplo concreto: em 1995, o esquema "empréstimos por ações" entregou gigantes como Yukos (petróleo) e Norilsk Nickel (níquel) a banqueiros próximos do Kremlin por valores irrisórios — Mikhail Khodorkovsky, o mais famoso desses oligarcas, comprou a Yukos por cerca de US$ 300 milhões quando valia bilhões.
Some-se a isso a crise de 1998, quando a Rússia deu calote na dívida interna e o rublo desabou, e o bombardeio do Parlamento em 1993, quando Iéltsin mandou tanques contra o Soviete Supremo. O saldo foi uma democracia formal com poder real nas mãos de clãs econômicos, imprensa manipulada e uma população empobrecida — terreno fértil para a ascensão de Putin em 2000.