1. Aspectos gerais do período
Transição negociada, sem ruptura com o regime anterior: Tancredo Neves é eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral em 1985, mas adoece e morre antes da posse. Assume o vice José Sarney, ex-presidente da ARENA — símbolo da continuidade das elites na redemocratização.
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O ponto central deste tópico é entender que a redemocratização brasileira foi uma transição conservadora, isto é, uma abertura conduzida "pelo alto", de dentro do próprio regime militar, e não resultado de uma ruptura revolucionária ou de uma derrota imposta às Forças Armadas. Isso significa que as estruturas de poder — latifúndio, grande capital, militares e velhas oligarquias políticas — foram preservadas e reciclaram-se no novo regime.
Ainda assim, sob pressão social intensa — greves do ABC, movimento das Diretas Já, pressão de movimentos sociais organizados —, a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-88 produziu uma Carta cidadã, com avanços como o SUS, a universalização do voto (incluindo analfabetos), a licença-maternidade e a função social da propriedade.
Vale lembrar que o período também ficou marcado por crises econômicas graves, como a hiperinflação e os fracassados Planos Cruzado e Bresser, que ajudam a explicar a instabilidade política e a impopularidade de Sarney — e, por consequência, a própria fragilidade da promessa democrática que se seguiu.