1. Origens do sionismo e o mandato britânico
O sionismo, movimento fundado por Theodor Herzl no fim do séc. XIX, buscava um Estado judeu na Palestina como resposta ao antissemitismo europeu. A Declaração Balfour (1917) do governo britânico apoiou um "lar nacional judeu" na região, então sob domínio otomano e, após a Primeira Guerra, sob mandato britânico — gerando promessas conflitantes a judeus e árabes palestinos.
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Para entender o tema a fundo, é preciso recuar ao contexto europeu do século XIX: o sionismo surge menos como projeto religioso e mais como resposta política ao antissemitismo moderno, que se intensificou com os pogroms no leste europeu e com o caso Dreyfus na França (1894), escândalo que convenceu Herzl de que a assimilação dos judeus era ilusória. Daí a proposta de um Estado soberano próprio, ideia sintetizada no livro O Estado Judeu (1896) e organizada nos Congressos Sionistas (a partir de 1897), que passaram a financiar a imigração (aliyá) para a Palestina.
O exemplo concreto mais revelador é o próprio texto da Declaração Balfour (2 de novembro de 1917), uma carta do chanceler britânico Arthur Balfour a Lord Rothschild prometendo apoio a um "lar nacional para o povo judeu", mas ressalvando que nada deveria prejudicar "os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes" — fórmula ambígua que, na prática, soou como traição aos nacionalistas árabes, especialmente após as promessas feitas a eles durante a Revolta Árabe (1916) e o Acordo Sykes-Picot (1916), que já dividia secretamente a região entre França e Reino Unido. Com o fim da Primeira Guerra e a queda do Império Otomano, a Liga das Nações outorgou à Grã-Bretanha o Mandato da Palestina (1920-1948), que deveria preparar o território para a autonomia, mas se viu preso a promessas contraditórias: o Livro Branco de 1939, ao restringir a imigração judaica, provocou revolta sionista, enquanto a crescente imigração alimentava o nacionalismo palestino e revoltas como a de 1936-1939.