F2 · Aulas 61–62

O conflito Israel-Palestina

1. Origens do sionismo e o mandato britânico

O sionismo, movimento fundado por Theodor Herzl no fim do séc. XIX, buscava um Estado judeu na Palestina como resposta ao antissemitismo europeu. A Declaração Balfour (1917) do governo britânico apoiou um "lar nacional judeu" na região, então sob domínio otomano e, após a Primeira Guerra, sob mandato britânico — gerando promessas conflitantes a judeus e árabes palestinos.

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Para entender o tema a fundo, é preciso recuar ao contexto europeu do século XIX: o sionismo surge menos como projeto religioso e mais como resposta política ao antissemitismo moderno, que se intensificou com os pogroms no leste europeu e com o caso Dreyfus na França (1894), escândalo que convenceu Herzl de que a assimilação dos judeus era ilusória. Daí a proposta de um Estado soberano próprio, ideia sintetizada no livro O Estado Judeu (1896) e organizada nos Congressos Sionistas (a partir de 1897), que passaram a financiar a imigração (aliyá) para a Palestina.

O exemplo concreto mais revelador é o próprio texto da Declaração Balfour (2 de novembro de 1917), uma carta do chanceler britânico Arthur Balfour a Lord Rothschild prometendo apoio a um "lar nacional para o povo judeu", mas ressalvando que nada deveria prejudicar "os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes" — fórmula ambígua que, na prática, soou como traição aos nacionalistas árabes, especialmente após as promessas feitas a eles durante a Revolta Árabe (1916) e o Acordo Sykes-Picot (1916), que já dividia secretamente a região entre França e Reino Unido. Com o fim da Primeira Guerra e a queda do Império Otomano, a Liga das Nações outorgou à Grã-Bretanha o Mandato da Palestina (1920-1948), que deveria preparar o território para a autonomia, mas se viu preso a promessas contraditórias: o Livro Branco de 1939, ao restringir a imigração judaica, provocou revolta sionista, enquanto a crescente imigração alimentava o nacionalismo palestino e revoltas como a de 1936-1939.

2. A criação de Israel e a Nakba (1948)

A ONU aprova em 1947 a partilha da Palestina entre um Estado judeu e um árabe; Israel proclama independência em 1948. Segue-se a primeira guerra árabe-israelense, com a derrota dos países árabes: para os palestinos, o evento é lembrado como Nakba ("catástrofe"), com cerca de 700 mil refugiados expulsos ou fugidos de suas terras.

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A Nakba não foi um acidente de guerra, mas resultado de um processo político deliberado: ainda antes de 14 de maio de 1948, o Plano Dalet (ou Plano D), elaborado pela Haganah em março daquele ano, previa o controle das áreas destinadas ao Estado judeu e a expulsão de populações árabes de vilas estratégicas — como ocorreu em Deir Yassin (abril de 1948), massacre que, somado a outros episódios, provocou fuga em massa por pânico, e em Lydda e Ramle (julho de 1948), de onde cerca de 50 mil palestinos foram expulsos sob ordens diretas. O êxodo, portanto, combinou pressão militar, medo coletivo e decisões políticas, e não apenas "saída voluntária" — tese israelense contestada por historiadores como Ilan Pappé, que fala em limpeza étnica, e por Benny Morris, que reconhece expulsões mas as relativiza.

Para os palestinos, a data de 15 de maio marca o Yom an-Nakba, com direito ao retorno garantido pela Resolução 194 da ONU (dezembro de 1948), nunca cumprida — ponto central do impasse até hoje, pois Israel condiciona qualquer retorno à segurança demográfica do Estado judeu.

3. As guerras árabe-israelenses

Sucessão de conflitos: 1956 (Suez), 1967 — a Guerra dos Seis Dias, em que Israel ocupa a Cisjordânia, Gaza, o Sinai e as Colinas de Golã, território-chave para entender o conflito até hoje — e 1973 (Guerra do Yom Kippur). Os acordos de Camp David (1978) levam à paz entre Egito e Israel, devolvendo o Sinai.

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As guerras árabe-israelenses não foram episódios isolados, mas a tradução militar de um impasse estrutural: de um lado, Israel consolidando um Estado seguro em meio a vizinhos que não reconheciam sua existência; de outro, países árabes e palestinos tentando reverter a partição de 1947 e a criação do Estado judeu. A Guerra dos Seis Dias (1967) é o divisor de águas porque Israel, temendo um ataque coordenado de Egito, Síria e Jordânia, lançou uma ofensiva preventiva e em seis dias conquistou Sinai, Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Colinas de Golã — territórios que viraram moeda de troca nas negociações seguintes. Já a Guerra do Yom Kippur (1973) mostrou que a superioridade israelense não era absoluta: Egito e Síria atacaram de surpresa no feriado judaico, e, apesar da vitória militar israelense, o choque abriu espaço para a diplomacia — os Acordos de Camp David (1978), que devolveram o Sinai ao Egito em troca de paz e reconhecimento.

Atente também para 1948 (Guerra da Independência/Nakba) e 1956 (crise de Suez), que costumam aparecer como causas ou desdobramentos.

4. Do processo de paz à situação atual em Gaza

Os Acordos de Oslo (1993), entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, criaram a Autoridade Palestina com autogoverno limitado, sem resolver o status final de Jerusalém, dos refugiados ou dos assentamentos. O Hamas assume o controle de Gaza em 2007, após vencer eleições e expulsar a Autoridade Palestina pela força; a Cisjordânia segue sob a Autoridade Palestina (Fatah). Israel mantém bloqueio a Gaza desde então. Atenção: para provas, é essencial situar o conflito na disputa por território, segurança e autodeterminação — evitando simplificações — e conhecer o vocabulário-chave (Nakba, Intifada, assentamentos, Faixa de Gaza, Cisjordânia).

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Após Oslo, o processo de paz fragmentou-se em etapas provisórias que nunca chegaram ao status final: enquanto a Autoridade Palestina consolidava autogoverno restrito em áreas da Cisjordânia e Gaza, Israel ampliava assentamentos e mantinha Jerusalém Oriental sob ocupação desde 1967, tendo sua anexação declarada em 1980 — ato não reconhecido pela comunidade internacional, que a considera violação do direito internacional, diferentemente da ocupação, que é situação de fato regulada pelas Convenções de Genebra. A Segunda Intifada (2000-2005) sepultou o clima de Oslo, e a retirada unilateral israelense de Gaza (2005) não encerrou o controle efetivo sobre fronteiras, espaço aéreo e registro populacional.