F2 · Aula 53

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

1. Antecedentes e conjuntura

Fracasso da Liga das Nações, expansionismo do Eixo — Manchúria, Etiópia, Renânia, Áustria — e a política de apaziguamento franco-britânica, consagrada no Acordo de Munique (1938), que entregou os Sudetos a Hitler. O Pacto Germano-Soviético (1939), com cláusula secreta de partilha da Polônia, abriu caminho para a invasão.

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O ponto de partida para entender a Segunda Guerra está na crise da ordem de Versalhes, montada em 1919 sem que a Alemanha derrotada e a Rússia soviética dela participassem, o que a tornava frágil diante de qualquer revisionismo. Essa fragilidade ficou evidente com a Liga das Nações, criada para mediar conflitos, mas sem exército próprio e dependente da boa vontade das potências, que a abandonaram quando lhes convinha: os EUA nunca ratificaram sua entrada, a Alemanha e o Japão saíram nos anos 1930, e a URSS foi expulsa em 1939 após invadir a Finlândia. Nesse vazio, a política de apaziguamento britânica ganhou força, baseada na memória traumática da Primeira Guerra e na tese de que concessões razoáveis a Hitler evitariam novo conflito, além do temor de que o nazismo servisse de barreira ao avanço comunista.

Exemplo concreto e decisivo é a Crise dos Sudetos: em setembro de 1938, Chamberlain e Daladier cederam a Hitler a região tcheca de língua alemã no Acordo de Munique, sem consultar a Tchecoslováquia nem a URSS, e em março de 1939 Hitler já ocupava o restante do país, provando que o apaziguamento apenas estimulou novas exigências. Em seguida veio o Pacto de Não Agressão Germano-Soviético (agosto de 1939), com protocolo secreto dividindo a Europa Oriental, que isolou a Polônia e selou seu destino.

2. A guerra: Eixo × Aliados

Começa com a invasão da Polônia em 1º de setembro de 1939 e a blitzkrieg. Momentos de virada: Stalingrado (1943), El Alamein, o Dia D na Normandia (1944) e a tomada de Berlim. No Pacífico, de Pearl Harbor (1941) às bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki (agosto de 1945).

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Mais do que uma sucessão de batalhas, o confronto entre Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e Aliados (Reino Unido, URSS, EUA e França Livre) deve ser entendido como uma guerra de coalizões assimétricas, em que a coordenação político-estratégica pesou tanto quanto a força militar: enquanto o Eixo apostava na rapidez e na superioridade inicial para evitar uma guerra longa, os Aliados transformaram seu enorme potencial industrial e demográfico em vitória ao longo do tempo, sobretudo após a entrada soviética (junho de 1941) e a americana (dezembro de 1941). O conceito-chave é o de "guerra total" — mobilização completa de economias, ciência e populações civis —, e um exemplo concreto é a Operação Barbarossa: ao invadir a URSS, Hitler repetiu a aposta na guerra-relâmpago, mas subestimou a capacidade soviética de transferir fábricas para os Urais e mobilizar milhões de soldados, de modo que a resistência em Moscou e, depois, o cerco de Stalingrado inverteram definitivamente a iniciativa estratégica no front oriental.

No plano diplomático, a Carta do Atlântico (1941) e as conferências de Teerã, Ialta e Potsdam definiram não só a condução da guerra, mas o desenho do pós-guerra, incluindo a futura divisão da Europa em áreas de influência — tema que conecta este tópico à Guerra Fria.

3. Consequências

Cerca de 60 milhões de mortos, a maioria civis; Europa arrasada; criação da ONU (1945) e dos tribunais de Nuremberg; Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948); Plano Marshall; divisão da Alemanha; início da descolonização afro-asiática; e a bipolarização entre EUA e URSS, abrindo a Guerra Fria.

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As consequências da Segunda Guerra Mundial vão muito além da contagem de mortos e da lista de instituições criadas: o conflito operou uma reconfiguração total da ordem mundial, destruindo o sistema de potências europeias que vigorava desde o Congresso de Viena (1815) e substituindo-o por uma bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética, agora elevados à condição de superpotências com capacidade de destruição nuclear. Esse conceito de bipolaridade é central: significou que as decisões globais passaram a depender do equilíbrio (e do medo) entre dois blocos ideológicos, um capitalista e outro socialista, o que explica tanto a corrida armamentista quanto os conflitos indiretos que marcariam as décadas seguintes.

Enquanto a Europa perdia peso econômico e político, surgia um Terceiro Mundo formado por nações recém-independentes, e a própria ONU, criada em 1945, foi desenhada para evitar que a bipolaridade se convertesse em uma nova guerra total, com o Conselho de Segurança e o direito de veto reservado aos vencedores.

Outro ponto decisivo foi a divisão da Alemanha e de Berlim, que se tornou o símbolo maior da Guerra Fria: a cidade dividida por um muro apenas em 1961 — portanto, dezesseis anos após o fim do conflito — mostra que as consequências da guerra não se encerraram em 1945, mas se desdobraram lentamente, inclusive com a formação de dois Estados alemães (RFA e RDA) em 1949, a OTAN também em 1949 e o Pacto de Varsóvia em 1955, este último já uma resposta à entrada da Alemanha Ocidental na OTAN. No plano jurídico e moral, os Tribunais de Nuremberg (1945-46) e de Tóquio inovaram ao julgar crimes de guerra, contra a humanidade e contra a paz, estabelecendo o princípio de que a obediência a ordens superiores não exime o indivíduo de responsabilidade, base que depois alimentaria a criação do Tribunal Penal Internacional.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e o Plano Marshall (1948), voltado à reconstrução europeia e ao contenimento da influência soviética, completam esse quadro: o primeiro afirmou direitos universais em resposta aos horrores do Holocausto, e o segundo consolidou a divisão econômica do continente, criando a chamada "cortina de ferro".