1. Transição para a Idade Moderna
Crise do século XIV — Peste Negra, fome e Guerra dos Cem Anos — desestrutura o feudalismo. Emergem a burguesia, o comércio de longa distância e as monarquias nacionais centralizadas, que unificam moeda, exército e justiça. É a passagem do poder fragmentado ao Estado moderno.
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A Transição para a Idade Moderna deve ser entendida menos como uma ruptura súbita e mais como um processo de recomposição das estruturas sociais, econômicas e políticas europeias entre os séculos XIV e XVI, no qual a crise do século XIV atuou como catalisador de transformações que já vinham se acumulando desde o século XIII, quando o crescimento populacional, a expansão agrícola e o renascimento comercial e urbano já haviam reativado as feiras, as rotas mediterrâneas e o uso da moeda, enfraquecendo gradualmente as relações de servidão e o poder local dos senhores feudais.
A Peste Negra, ao dizimar cerca de um terço da população europeia, provocou escassez de mão de obra, elevação dos salários e fuga de camponeses para as cidades, o que minou a base servil e fortaleceu setores mercantis e financeiros, como os banqueiros italianos e os Fugger alemães, que passaram a financiar reis e projetos ultramarinos, enquanto a centralização monárquica se consolidava por meio da unificação de moedas, leis, impostos e forças armadas permanentes, como no caso exemplar de Portugal, onde a Revolução de Avis (1383-1385) aliou a burguesia mercantil, a nobreza e o rei D. João I em torno de um projeto expansionista que culminaria na tomada de Ceuta (1415) e nas grandes navegações, articulando Estado, capital e fé como motores da expansão marítima.