1. Assembleia dos Estados Gerais
Convocada em maio de 1789 após 175 anos. O impasse foi o voto por estado (que garantia 2 a 1 aos privilegiados) contra o voto por cabeça, defendido pelo Terceiro Estado. Este se autoproclama Assembleia Nacional e faz o Juramento do Jogo da Péla: não se dispersar sem uma Constituição.
Aprofundar ▾
A Assembleia dos Estados Gerais representou o momento em que a crise do Antigo Regime francês deixou de ser financeira para se tornar política, pois o rei Luís XVI, ao convocá-la para resolver o déficit fiscal, reabriu o único canal legítimo de representação estamental que existia desde 1614, permitindo que as tensões acumuladas viessem à tona.
O ponto central estava na soberania nacional: quem representava a nação? Para o Terceiro Estado, influenciado por Sieyès, autor de "O que é o Terceiro Estado?", a resposta era clara — a nação era o conjunto dos cidadãos, não a soma de ordens separadas, de modo que a votação deveria ser por cabeça e não por estado, como defendiam o clero e a nobreza. O exemplo concreto mais cobrado é a sessão de 17 de junho de 1789, quando os deputados do Terceiro Estado, diante da resistência dos privilegiados e da indecisão real, se autoproclamaram Assembleia Nacional, e o Juramento do Jogo da Péla, em 20 de junho, selou o compromisso de não se separarem até dar à França uma Constituição; o rei, pressionado pela corte de Versalhes e pela rainha Maria Antonieta, tentou resistir, mas acabou reconhecendo a legitimidade da Assembleia em 27 de junho, quando clero e nobreza liberais se juntaram a ela.
Esse episódio ilustra o deslocamento do poder de uma monarquia absoluta de direito divino para uma soberania popular em construção, e conecta-se diretamente às outras Revoluções Atlânticas, como a Americana de 1776 e a Independência do Haiti de 1804, que também questionaram a legitimidade monárquica a partir de ideais iluministas.