1. Realeza ou Monarquia (753-509 a.C.)
Fundação lendária por Rômulo; período com reis latinos e depois etruscos, que legaram engenharia, urbanismo e religião. Sociedade dividida entre patrícios (proprietários), plebeus e clientes. A expulsão de Tarquínio, o Soberbo, encerra a monarquia.
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A Monarquia romana (753-509 a.C.) não foi um bloco homogêneo, mas uma fase de transição em que a comunidade latina do Palatino se consolidou pela fusão com sabinos e, sobretudo, pela dominação etrusca a partir do século VII a.C., quando a cidade deixou de ser um aglomerado de aldeias e ganhou contornos urbanos. O rei, inicialmente um chefe militar e religioso vitalício, mas não hereditário, acumulava funções executivas, judiciais e sacerdotais, sendo auxiliado por um conselho de anciãos (o Senado) e pela assembleia dos cidadãos em armas (os comícios); a escolha, no entanto, cabia ao Senado por meio da interregnum, o que já revelava o peso aristocrático.
Exemplo concreto dessa transformação é o reinado de Servius Tullius (578-535 a.C.), a quem a tradição atribui a reforma centuriata: a divisão da população não mais por linhagem, mas por censo e capacidade militar em cinco classes, criando os comitia centuriata e enfraquecendo o critério puramente gentílico dos patrícios. Essa inovação, somada às obras etruscas como a Cloaca Máxima e o templo de Júpiter Capitolino, mostra que a monarquia romana foi um laboratório de instituições que sobreviveram à própria queda. As provas costumam cobrar a identificação do caráter etrusco da fase final, a diferença entre rei e magistrado republicano, a composição social (patrícios, plebeus, clientes, escravos) e a ruptura de 509 a.C. como marco simbólico do fim da dominação estrangeira e início da Res publica; questões de Fuvest e Unicamp gostam de explorar a gens como base social e a luta plebeia como consequência da rigidez patrícia.
Assim, dominar a Monarquia é entender que Roma não nasceu republicana: as tensões entre rei, Senado e povo, já presentes na fase régia, foram o embrião das instituições que definiriam a história romana posterior.