A República Democrática: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart
1. Governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960)
Lema "cinquenta anos em cinco" e Plano de Metas, com prioridade a energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. Abertura ao capital estrangeiro: montadoras automobilísticas no ABC. Constrói Brasília, inaugurada em 1960. O custo foi inflação e forte endividamento externo.
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O Plano de Metas sintetiza a lógica desenvolvimentista de JK: o Estado não substituía o capital privado, mas criava as condições para que ele investisse. Sua eficácia dependia de infraestrutura energética e viária que reduzisse custos de produção, além de indústria de base capaz de fornecer insumos.
Em síntese, JK deixou um país mais industrializado e integrado, mas também mais desigual e financeiramente vulnerável, o que explica por que seu governo é lido tanto como apogeu quanto como origem das tensões que explodiram nos anos 1960.
2. Governo de Jânio Quadros (1961)
Eleito pela UDN com o símbolo da vassoura, prometendo varrer a corrupção. Adota política externa independente, condecora Che Guevara e retoma relações com países socialistas, o que irrita a direita. Após sete meses, renuncia em agosto de 1961, provavelmente esperando ser reconduzido com mais poderes.
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O governo Jânio Quadros representa o desfecho trágico da experiência populista-democrática iniciada em 1945 e o prelúdio da crise que levaria ao golpe de 1964. Eleito em 1960 pela coligação UDN-PDC com uma votação esmagadora, Jânio encarnou o antipolítico que prometia moralizar a administração, combater a inflação e a corrupção, mas governou de forma errática e personalista, concentrando decisões e desagradando tanto a esquerda quanto a direita. Sua política externa independente, simbolizada pela condecoração de Che Guevara e pelo restabelecimento de relações com a URSS e a China, buscava ampliar a margem de manobra do Brasil na Guerra Fria, mas foi lida pelos militares e pela UDN como aproximação perigosa com o comunismo.
Internamente, adotou medidas ortodoxas impopulares, como o corte de subsídios ao trigo e ao petróleo, e proibiu o uso de lança-perfume no carnaval, misturando moralismo e arrocho. Sem base parlamentar sólida e isolado, renunciou em 25 de agosto de 1961, apostando que o Congresso lhe devolveria o poder com mais força — o que não ocorreu, pois a posse de João Goulart foi garantida pela campanha da legalidade, liderada por Leonel Brizola, e pelo compromisso da emenda parlamentarista. O exemplo concreto mais cobrado é justamente a renúncia e a crise subsequente, que expôs a fragilidade institucional da República de 1946 e a resistência militar a um vice-presidente trabalhista.
3. Governo de João Goulart (1961-1964)
Sua posse é vetada pelos militares e viabilizada pela Campanha da Legalidade de Brizola, sob regime parlamentarista, revogado em plebiscito de 1963. Propõe as Reformas de Base — agrária, urbana, bancária e educacional — no comício da Central em março de 1964. É deposto pelo golpe de 31 de março de 1964.
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O governo João Goulart (1961-1964) é o desfecho de uma crise estrutural da República de 1946: a industrialização dependente gerou urbanização acelerada e demandas sociais que o sistema político populista já não conseguia canalizar, e a Guerra Fria transformou qualquer reforma de esquerda em ameaça estratégica aos olhos dos militares e do empresariado. Daí o caráter reformista e conciliador do governo, que tentava ampliar direitos sem romper a ordem capitalista. O exemplo concreto é a Lei de Remessa de Lucros (1962), que limitava a saída de capitais estrangeiros: ao mesmo tempo que sinalizava nacionalismo econômico aos trabalhadores, acirrava a oposição do capital externo e da classe média conservadora.
O ponto de virada foi o Comício da Central do Brasil (13 de março de 1964), quando Jango assinou o decreto de desapropriação de terras às margens de rodovias e ferrovias: para os reformistas, era o início das Reformas de Base; para os golpistas, a prova de que ele instauraria uma "república sindicalista". Isso explica a Marcha da Família com Deus pela Liberdade e a articulação entre militares e setores civis no golpe de 31 de março de 1964 — tema central da historiografia, que debate se houve um golpe civil-militar (com ampla base social, segundo autores como René Dreifuss e Daniel Aarão Reis) ou uma revolução preventiva (a narrativa autolegitimadora dos vencedores, que diziam "salvar" o país do comunismo).
Diferente do AI-1, que só viria em abril de 1964 para institucionalizar o novo regime, o golpe em si foi a ruptura institucional, seguida pelo Ato Institucional que cassou mandatos e suspendeu garantias.