1. Contexto
Crise da Igreja: venda de indulgências, nepotismo, simonia e mundanização do clero. Somam-se o Humanismo, que exigia o retorno às Escrituras originais, a imprensa de Gutenberg, o interesse dos príncipes alemães nos bens eclesiásticos e a ética burguesa, incompatível com a condenação da usura.
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O contexto da Reforma se completa quando entendemos que a insatisfação religiosa se somou a uma reconfiguração política da Europa, na qual o papado atuava como um poder temporal entre os demais. Desde o Cisma do Ocidente e os conflitos conciliares dos séculos XIV e XV, a autoridade papal já vinha sendo contestada por monarcas que buscavam afirmar a soberania de seus Estados, e o crescente custo da burocracia romana — sustentada por taxas extraídas das igrejas nacionais — alimentava um sentimento antipapal que era ao mesmo tempo devocional e fiscal. Some-se a isso o desgaste do Sacro Império Romano-Germânico, cuja estrutura fragmentada em principados, cidades livres e territórios eclesiásticos tornava a Alemanha um terreno fértil para a contestação: o imperador Carlos V, eleito em 1519 com apoio financeiro dos Fugger, precisou conciliar a defesa da ortodoxia católica com a dependência dos príncipes luteranos para financiar suas guerras contra a França e os turcos otomanos.