1. Sociedade açucareira
Rural, patriarcal, escravista e rigidamente hierarquizada, com pouca mobilidade. No topo, os senhores de engenho; na base, os escravizados. Entre eles, uma camada intermediária de lavradores, artesãos e feitores. A casa-grande concentrava poder econômico, político e familiar.
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A sociedade açucareira, que se consolidou no Nordeste entre os séculos XVI e XVII, foi a primeira grande estrutura social organizada em torno de um produto de exportação: o açúcar. Ela se formou a partir da articulação entre latifúndio, monocultura e trabalho compulsório, formando o que Gilberto Freyre chamou de "civilização do açúcar". O engenho não era apenas uma unidade produtiva, mas um núcleo social completo — incluía terras, capela, moradia, senzala e todos os trabalhadores necessários. O poder do senhor de engenho ia além da economia: ele controlava a Câmara Municipal, a justiça local e até o clero, exercendo domínio político sobre toda a região.
A escravidão africana, base do sistema, era legitimada pela Igreja e naturalizada pela mentalidade da época, o que explica a violência estrutural contra os escravizados, que resistiam por meio de fugas, quilombos e manutenção de suas culturas.