1. Espanha e a América espanhola
Tensão entre chapetones (nascidos na Espanha, com os cargos) e criollos (nascidos na América, ricos mas sem poder político) — estes lideram as independências. As reformas bourbônicas aumentaram a exploração e o descontentamento das elites locais.
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Aprofundando: o termo "Antigo Regime" aplica-se à América espanhola como um sistema colonial de tipo absolutista-mercantilista, no qual a metrópole detinha o monopólio comercial e a exclusividade dos altos cargos administrativos, eclesiásticos e militares, organizando a economia colonial em função da mineração de prata (Potosí, Zacatecas) e da exportação de matérias-primas. As reformas bourbônicas, implantadas a partir de meados do século XVIII sob Carlos III (visitador José de Gálvez, criação dos vice-reinados de Nova Granada em 1717 e do Rio da Prata em 1776, expulsão dos jesuítas em 1767, aumento de impostos e reforço do estanco do tabaco), buscavam modernizar a administração e elevar a arrecadação para sustentar as guerras europeias da Espanha, mas atingiram justamente os criollos, que perderam espaço nos cabildos e viram crescer a pressão fiscal.
Some-se a isso a penetração das ideias iluministas — Montesquieu, Rousseau, os enciclopedistas — e o exemplo concreto das Revoluções Americana (1776) e Francesa (1789), além da crise da monarquia espanhola com a invasão napoleônica em 1808, que depôs Fernando VII e criou um vazio de poder: as juntas locais formadas na América passaram a reivindicar soberania em nome do rei cativo, abrindo caminho para a ruptura. O caso mais emblemático é o do vice-reinado do Rio da Prata: a resistência às invasões inglesas (1806-1807) fortaleceu os criollos de Buenos Aires, e a Revolução de Maio de 1810 depôs o vice-rei Cisneros, deflagrando o movimento que culminaria na independência argentina em 1816, articulada depois por San Martín com as campanhas de Chacabuco e Maipú.
Ao lado desse processo, a revolução mexicana teve liderança popular e clerical com os padres Miguel Hidalgo (Grito de Dolores, 1810) e José María Morelos, ambos executados, e só se consolidou em 1821 sob Iturbide; na América do Sul, Simón Bolívar, da Venezuela, e José de San Martín, do Prata, conduziram as campanhas que libertaram os vice-reinados de Nova Granada, Peru e Rio da Prata, sendo Bolívar responsável por projetos de unidade continental como a Grã-Colômbia.