1. Conceitos e contexto
Período de 1946 a 1964, também chamado República Populista ou Quarta República: democracia com eleições diretas e multipartidarismo, mas com o PCB cassado em 1947 e os analfabetos ainda excluídos do voto. Contexto de Guerra Fria, urbanização acelerada e industrialização.
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A expressão República Populista designa menos um regime institucional coerente do que uma experiência histórica marcada pela tensão entre a ampliação da participação política e o controle das massas urbanas pelo Estado. O conceito de populismo, aqui, não deve ser confundido com demagogia pura: trata-se de um estilo de governo em que o líder se apresenta como mediador direto entre o povo e as elites, concedendo direitos sociais sem necessariamente ampliar a autonomia política. Getúlio Vargas é o caso paradigmático — em 1951, retorna ao poder pelo voto, agora como presidente eleito, mas mantém práticas herdadas do Estado Novo, como a nomeação de interventores e a cooptação sindical pelo Ministério do Trabalho.
O exemplo concreto mais cobrado é o segundo governo Vargas (1951–1954): a criação da Petrobras (1953) e a campanha "O petróleo é nosso" mobilizaram nacionalistas contra o entreguismo, enquanto a oposição udenista, liderada por Carlos Lacerda, acusava o governo de corrupção. O desfecho trágico — o suicídio de Vargas em agosto de 1954, com a Carta Testamento — transformou o presidente em mártir e desestabilizou a coalizão conservadora. Vale corrigir um ponto frequente em resumos apressados: o voto secreto não foi uma novidade de 1955; ele já constava do Código Eleitoral de 1932 e foi mantido na Constituição de 1946, embora a fiscalização nas zonas rurais controladas por coronéis tornasse a prática muitas vezes fictícia — daí a expressão "voto de cabresto".