F2 · Aula 44

O imperialismo III: China e Índia – panorama e século XIX

A. Inglaterra

Na Índia, a Companhia das Índias Orientais dá lugar ao domínio direto após a Revolta dos Cipaios (1857); Vitória é proclamada imperatriz em 1877. Na China, vence as Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), impondo o Tratado de Nanquim, a abertura de portos e a cessão de Hong Kong.

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A Inglaterra representa o modelo mais acabado do imperialismo oitocentista porque combinou dois instrumentos distintos conforme o alvo: na Índia, valeu-se de uma empresa privada e, depois, do domínio colonial direto; na China, de guerras comerciais e tratados desiguais. Esse contraste ilumina o próprio conceito de imperialismo — não a simples conquista territorial, mas a subordinação econômica e política de regiões periféricas aos interesses industriais e financeiros europeus. O caso chinês é exemplar: a Inglaterra vendia ópio à China para equilibrar sua balança comercial (já que comprava chá e seda sem contrapartida), e quando o governo Qing tentou proibir o tráfico, Londres respondeu com força naval.

Após as Guerras do Ópio, os tratados desiguais impuseram indenizações, extraterritorialidade e a abertura de portos como Xangai, transformando a China em área de influência informal — sem anexação formal, mas com soberania mutilada. Na Índia, o caminho foi outro: a Companhia das Índias Orientais administrou o território até a Revolta dos Cipaios (1857), quando a Coroa assumiu o controle direto.

B. França

Constrói o segundo maior império colonial, com foco no Norte e Oeste da África e na Indochina — Vietnã, Laos e Camboja. Adota a política de assimilação, pretendendo transformar os colonizados em franceses pela língua e pela cultura. Sofre humilhação diplomática no incidente de Fachoda (1898).

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O imperialismo francês do século XIX distingue-se do britânico por seu caráter mais diretivo e culturalmente intrusivo, articulando expansionismo territorial, missão civilizatória e revanchismo pós-1871. Após a derrota na Guerra Franco-Prussiana e a perda da Alsácia-Lorena, a Terceira República encontrou na expansão colonial um instrumento de prestígio nacional e de compensação simbólica, sob o argumento de Jules Ferry de que a França precisava exportar sua língua, sua fé laica e suas instituições. Na Indochina, a penetração começou com missionários e comerciantes ainda no Segundo Império, mas consolidou-se pela força: a França anexou a Cochinchina em 1862, depois de bombardear Tourane e Saigon, estabeleceu protetorado sobre o Camboja em 1863 e sobre o Laos em 1893, e impôs o protetorado sobre o Vietnã em 1884, unificando o território na União Indochinesa em 1887.

O exemplo concreto é o próprio Vietnã: a dinastia Nguyen, que resistia à presença francesa desde a década de 1850, foi derrotada após a Guerra Sino-Francesa (1884-1885), quando a França impôs a soberania sobre Tonquim e expulsou a influência chinesa, transformando o país em colônia de exploração de arroz, carvão e borracha. A política de assimilação significava impor o francês como língua oficial, substituir a educação confuciana por escolas laicas e conceder cidadania francesa apenas a uma elite selecionada, criando uma hierarquia racial que, na prática, contradizia o discurso universalista. Em Fachoda (1898), o choque com a Inglaterra no Sudão revelou os limites dessa expansão: a França recuou para evitar guerra, mas o incidente acelerou a aproximação que resultaria na Entente Cordiale de 1904, reorganizando as alianças pré-Primeira Guerra.

Outros imperialismos

Bélgica: Congo, sob Leopoldo II. Alemanha e Itália, unificadas tarde, ficam com as sobras — insatisfação que alimenta a Primeira Guerra. Japão, após a Era Meiji, industrializa-se e torna-se potência imperialista asiática, derrotando China (1895) e Rússia (1905). Estados Unidos avançam sobre o Caribe e o Pacífico.

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Quando falamos de "outros imperialismos", o essencial é entender que a expansão colonial do século XIX não foi monopólio de ingleses e franceses: potências que se industrializaram mais tarde ou que tinham projetos nacionais específicos entraram na corrida por colônias e áreas de influência, muitas vezes de forma tardia e, por isso, mais agressiva. O caso belga é exemplar do imperialismo predatório: o rei Leopoldo II transformou o Congo, a partir de 1885, em propriedade pessoal, explorando marfim e, sobretudo, borracha por meio de trabalho forçado e mutilações, até que a denúncia internacional o obrigasse a ceder o território ao Estado belga em 1908 — um exemplo concreto de como o lucro colonial se sobrepunha a qualquer justificativa civilizatória.

Já Alemanha e Itália, unificadas só na segunda metade do século XIX, chegaram atrasadas à partilha da África e da Ásia e receberam "sobras": a Alemanha ficou com Togo, Camarões, Tanganica e Namíbia, e a Itália com Líbia, Somália e Eritreia, além da derrota humilhante em Adua (1896) contra a Etiópia — frustração que alimentou o revanchismo e ajudou a empurrar a Europa para a Primeira Guerra. Fora da Europa, o Japão pós-Era Meiji industrializou-se aceleradamente e adotou o próprio imperialismo, vencendo a China (1894-95) e a Rússia (1904-05), exemplos de que o modelo imperialista podia ser apropriado por potências não ocidentais. Os Estados Unidos, por sua vez, combinaram expansionismo continental com imperialismo marítimo, anexando Havaí, Porto Rico e Filipinas após a Guerra Hispano-Americana de 1898 e impondo a Emenda Platt a Cuba.