F2 · Aula 56

A Guerra da Indochina e o Maio de 1968

1. Conflitos na Indochina

A antiga colônia francesa — Vietnã, Laos e Camboja — tornou-se palco de três décadas de guerra, unindo luta anticolonial e confronto da Guerra Fria. O movimento Vietminh, liderado por Ho Chi Minh, combinava nacionalismo e comunismo, o que explica seu apoio popular.

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A Indochina é o exemplo clássico de como a Guerra Fria se sobrepôs aos movimentos de descolonização: após a Segunda Guerra, o Vietminh proclamou a independência, mas a França recusou-se a abandonar a colônia, dando início à Guerra da Indochina (1946–1954), encerrada com a queda de Dien Bien Phu e os Acordos de Genebra, que dividiram o Vietnã no paralelo 17. O que era um conflito anticolonial transformou-se em peça do tabuleiro bipolar: os EUA, temendo o efeito dominó no Sudeste Asiático, passaram a sustentar o regime de Saigon, enquanto URSS e China armavam Hanói, o que, já sob a presidência de Ngo Dinh Diem e depois com a escalada de Lyndon Johnson, desembocou na Guerra do Vietnã (1955–1975), cujo desfecho — a queda de Saigon em 1975 — marcou a primeira grande derrota militar dos EUA e alimentou movimentos pacifistas e a contracultura que explodiram em Maio de 1968.

O exemplo concreto é justamente o da Ofensiva do Tet (1968): embora tenha sido uma derrota militar para o Vietcong, a cobertura televisiva da violência em cidades como Huê virou a opinião pública americana contra a guerra, mostrando como conflitos periféricos repercutem no centro do sistema.

A. Primeiro conflito (1946-1954)

Guerra de independência contra a França, que tentava restaurar o domínio colonial após a ocupação japonesa. Termina com a derrota francesa em Dien Bien Phu (1954). Os Acordos de Genebra dividem o país no paralelo 17, com eleições prometidas e nunca realizadas.

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A Guerra da Indochina (1946-1954) é o capítulo inaugural da descolonização do Sudeste Asiático e o primeiro grande conflito em que uma potência europeia sai derrotada por um movimento de libertação nacional apoiado por potências socialistas, o que a torna peça central para entender a lógica da Guerra Fria fora da Europa. O Vietminh, frente liderada por Ho Chi Minh e de orientação comunista, nasceu da resistência antifrancesa durante a ocupação japonesa e proclamou a independência do Vietnã em 1945; a França, recusando-se a abandonar seu império, iniciou uma guerra colonial que, a partir de 1949, se internacionalizou: com a vitória da revolução chinesa de Mao Tsé-Tung, o Vietminh passou a receber armas e apoio do bloco socialista, enquanto os EUA, presos à lógica da contenção e à teoria do dominó, financiaram crescentemente o esforço francês, chegando a arcar com a maior parte dos custos da guerra.

O desfecho se dá com a Batalha de Dien Bien Phu, exemplo concreto do poder de uma guerrilha bem organizada contra um exército convencional isolado em posição fortificada no vale; o general Vo Nguyen Giap concentrou artilharia e cortou reabastecimento aéreo, forçando a rendição francesa em maio de 1954. A Conferência de Genebra, que se seguiu, dividiu o Vietnã no paralelo 17, com eleições previstas para 1956 — nunca realizadas porque os EUA temiam a vitória eleitoral de Ho Chi Minh, o que abriu caminho para a Segunda Guerra da Indochina, com envolvimento direto americano.

B. Guerra do Vietnã (1960-1975)

Os EUA assumem o lugar da França, apoiados na teoria do dominó, e escalam o conflito após o incidente de Tonkin (1964). Enfrentam a guerrilha vietcongue, o napalm e o agente laranja, a Ofensiva do Tet (1968) e forte oposição interna. Retiram-se em 1973; Saigon cai em 1975. Primeira derrota militar americana.

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A teoria do dominó, formulada no auge da Guerra Fria, partia da ideia de que, se um país caísse sob influência comunista, os vizinhos sucumbiriam em efeito cascata — daí o empenho americano em conter o avanço soviético na Ásia. No Vietnã, isso se traduziu na escalada militar sob os presidentes Eisenhower, Kennedy e, sobretudo, Johnson, que ampliou o envio de tropas e bombardeios após o incidente de Tonkin (1964), episódio de contornos ainda controversos no golfo homônimo, usado como pretexto para o Congresso aprovar a Resolução que autorizava ações militares sem declaração formal de guerra.

2. A juventude de 1968

Onda global de contestação: o Maio de 1968 em Paris, com estudantes e greve geral de 10 milhões de trabalhadores; protestos contra a Guerra do Vietnã nos EUA; o movimento estudantil no Brasil e o massacre de Tlatelolco no México. Pauta ampliada: costumes, feminismo, contracultura e crítica ao autoritarismo de todos os lados.

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A juventude de 1968 deve ser entendida como sujeito histórico de uma revolta geracional que combinou boom demográfico do pós-guerra, expansão do ensino superior e recusa dos valores burgueses tradicionais, num contexto de Guerra Fria e descolonização. Diferente das contestações operárias clássicas, essa juventude criticava tanto o capitalismo quanto o socialismo burocrático soviético, defendendo autogestão, liberdade sexual e participação direta. O maio francês é o exemplo concreto mais emblemático: em 3 de maio de 1968, estudantes da Sorbonne ocuparam a universidade de Nanterre contra a reforma do ensino e a repressão policial; a partir do dia 13, centrais sindicais convocaram greve geral que paralisou o país com mais de 10 milhões de trabalhadores, levando o presidente De Gaulle a dissolver a Assembleia e convocar eleições, enquanto o movimento se fragmentava entre estudantes e o Partido Comunista Francês, que temia perder controle.

Nos EUA, a juventude se articulou no movimento contra a Guerra do Vietnã e na contracultura de Woodstock; no Brasil, o movimento estudantil sofreu dura repressão após o AI-5; no México, o massacre de Tlatelolco, em 2 de outubro de 1968, matou centenas de estudantes antes das Olimpíadas.

3. Primavera de Praga (1968)

Na Tchecoslováquia, Alexander Dubcek propõe um "socialismo com face humana": liberdade de imprensa, reformas econômicas e maior autonomia. A URSS invade com tropas do Pacto de Varsóvia em agosto de 1968, formulando a Doutrina Brejnev, da soberania limitada. Aprofundou o desencanto com o modelo soviético.

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A Primavera de Praga nasce de uma crise interna do próprio bloco soviético: desde os anos 1950, a Tchecoslováquia acumulava estagnação econômica, atraso tecnológico e um clima de apatia social, agravado pelo modelo stalinista de planificação rígida e censura. Em janeiro de 1968, a queda de Antonín Novotný levou Dubcek ao poder e abriu espaço para um reformismo que não pretendia romper com o Pacto de Varsóvia nem abandonar o socialismo, mas descentralizar a economia, permitir empresas estatais com maior autonomia, legalizar parte da imprensa e discutir abertamente os erros do passado — daí o lema "socialismo com face humana".