F2 · Aula 32

As Revoluções Atlânticas: as origens da Revolução Francesa

O Antigo Regime francês: a França pré-revolucionária

Sociedade estamental: clero e nobreza, isentos de impostos, somavam menos de 3% da população; o Terceiro Estado — burguesia, sans-culottes e camponeses — produzia a riqueza e pagava os tributos. A crise veio dos gastos com guerras, da alta do pão e da recusa nobiliárquica a abrir mão da isenção fiscal. Daí a convocação dos Estados Gerais em 1789.

Aprofundar

O Antigo Regime francês era um sistema de poder que combinava monarquia absolutista de direito divino, sociedade de ordens e economia agrária de base servil e senhorial, no qual o rei concentrava a soberania, mas dependia de corpos intermediários — Parlamentos, províncias, corporações e a Igreja — para governar, o que gerava permanente tensão entre centralização e privilégio. Diferente da leitura escolar que reduz o problema a “rei gastador e nobre egoísta”, a crise era estrutural: a nobreza se definia pelo sangue e pela honra, não pela riqueza, e por isso via na isenção fiscal não um benefício econômico, mas a própria marca de sua identidade; já a burguesia enriquecida pelo comércio colonial e pela compra de cargos não podia ascender socialmente, o que alimentava o discurso ilustrado contra os privilégios.