1. Contexto
Após 1945, o enfraquecimento das metrópoles europeias, a participação dos colonizados na guerra, a Carta da ONU com a autodeterminação dos povos e o apoio das duas superpotências à descolonização criaram condições favoráveis. A Conferência de Bandung (1955) reuniu os países recém-independentes e originou o Movimento dos Não Alinhados e a ideia de "Terceiro Mundo".
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O contexto da descolonização afro-asiática não se reduz a uma reação mecânica ao fim da Segunda Guerra Mundial: ele articula uma crise estrutural do colonialismo a uma nova correlação de forças globais. Isso porque o conflito destruiu a lógica de prestígio que legitimava o domínio europeu, ao mesmo tempo que expôs a contradição de metrópoles que pregavam liberdade contra o nazifascismo enquanto mantinham impérios coloniais. Some-se a isso a pressão diplomática soviética, que denunciava o colonialismo como forma de exploração capitalista, e a americana, que preferia mercados abertos a impérios fechados, criando uma janela de oportunidade para as independências.
O exemplo concreto mais emblemático é a Argélia: colônia francesa com status de departamento ultramarino, viu a Frente de Libertação Nacional (FLN) desencadear, em 1954, uma guerra que só terminou em 1962, após cerca de 300 mil mortos e a queda da Quarta República francesa, mostrando que a descolonização não foi concessão, mas conquista violenta.