A. África islâmica
Norte do continente, sob influência otomana em declínio. O Egito, com o Canal de Suez (1869), torna-se peça estratégica e cai sob controle britânico em 1882. Argélia e Tunísia vão para a França; a Líbia, para a Itália. A resistência assumiu forma religiosa, como o movimento Mahdista no Sudão.
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A África islâmica interessa menos por suas fronteiras religiosas e mais por sua posição no xadrez do imperialismo tardio: ali, expansão colonial, disputa entre potências e resistência local se cruzam de modo exemplar. O conceito-chave é o de imperialismo indireto, isto é, o recurso a protetorados, companhias concessionárias, dívidas e administrações nativas para controlar territórios sem ocupação massiva — típico do norte africano, onde elites muçulmanas, confrarias sufis e mercadores transaarianos já mantinham redes próprias e negociavam com europeus em pé de igualdade relativa. Essa estrutura econômica prévia, baseada no comércio de caravanas, sal, ouro e escravos, entrou em colapso quando o capital financeiro europeu passou a exigir mercados cativos, empréstimos e escoamento de matérias-primas, transformando chefes locais em devedores ou intermediários subordinados.
O exemplo concreto é a Regência de Túnis: endividada, aceitou em 1869 uma comissão financeira anglo-franco-italiana, e em 1881, sob o Tratado de Bardo, tornou-se protetorado francês — sem que a Conferência de Berlim (1884-85) tivesse "autorizado" avanço algum pelos interiores; ela apenas fixou regras de partilha, enquanto a França já ocupava a Argélia desde 1830 e a Itália invadiria a Líbia só em 1911, num expansionismo unilateral e tardio. No plano cultural, a resistência islâmica organizou-se em torno da jihad e de lideranças carismáticas, como Muhammad Ahmad, o Mahdi do Sudão, que derrotou os britânicos em 1885 e só foi vencido em 1898, mostrando que a religião funcionou como linguagem política de mobilização anticolonial.