Para além do episódio de 15 de novembro, a Proclamação da República deve ser entendida como a conclusão de um processo de desgaste de três pilares do regime: a monarquia perdia sustentação na Igreja (após a Questão Religiosa, com a prisão de bispos), no Exército (marginalizado após a Guerra do Paraguai e inflamado pelo positivismo republicano) e entre os proprietários de escravos (descontentes com a Abolição sem indenização, em 1888). O movimento articulado por Benjamin Constant e Deodoro foi essencialmente militar, resultado de uma aliança entre a caserna e a elite cafeicultora paulista, sem mobilização da população urbana nem dos ex-escravizados, o que explica o caráter conservador da nova ordem.
Como exemplo concreto, basta lembrar que o primeiro governo provisório foi ocupado por velhos quadros monárquicos convertidos, e a política econômica do Encilhamento, conduzida por Rui Barbosa, combinou emissão de papel-moeda e crédito fácil para atender aos interesses agrários e industriais emergentes, gerando especulação e inflação. A questão costuma ser cobrada nas provas por meio da interpretação de fontes — como a frase de Aristides Lobo (“o povo bestializado”) ou caricaturas da época — pedindo que o candidato relacione a ausência de participação popular à natureza elitista e militar do novo regime, além de associar a República Velha à política dos governadores, ao coronelismo e à manutenção das desigualdades sociais e raciais herdadas da escravidão.
É comum também a exigência de comparação com outras rupturas, como a Independência e a Revolução de 1930, para avaliar continuidades e rupturas na história política brasileira.