F1 · Aulas 35–36

A crise do Segundo Reinado e a Proclamação da República

1. Crise do Segundo Reinado

Quatro frentes de desgaste: questão militar (proibição de manifestação política aos oficiais); questão religiosa (prisão de bispos no conflito com a maçonaria); questão abolicionista, que rompeu com os fazendeiros do Vale após 1888 sem indenização; e a questão republicana, com o Manifesto de 1870 e a ascensão do oeste paulista.

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A crise do Segundo Reinado não foi um episódio súbito, mas um processo de erosão lenta do arranjo político que sustentava o trono desde 1840: a chamada "política de conciliação" entre o Partido Liberal e o Conservador, garantida pelo Poder Moderador. Esse equilíbrio começou a ruir quando as bases sociais que sustentavam a monarquia — a aristocracia cafeeira do Vale do Paraíba, a Igreja e o Exército — foram perdendo coesão entre si.

2. Proclamação da República

Em 15 de novembro de 1889, um golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca depõe o gabinete e proclama a República — sem participação popular, no célebre registro de Aristides Lobo: o povo assistiu “bestializado”. Instala-se governo provisório, com Rui Barbosa na Fazenda e o Encilhamento como primeira crise.

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Para além do episódio de 15 de novembro, a Proclamação da República deve ser entendida como a conclusão de um processo de desgaste de três pilares do regime: a monarquia perdia sustentação na Igreja (após a Questão Religiosa, com a prisão de bispos), no Exército (marginalizado após a Guerra do Paraguai e inflamado pelo positivismo republicano) e entre os proprietários de escravos (descontentes com a Abolição sem indenização, em 1888). O movimento articulado por Benjamin Constant e Deodoro foi essencialmente militar, resultado de uma aliança entre a caserna e a elite cafeicultora paulista, sem mobilização da população urbana nem dos ex-escravizados, o que explica o caráter conservador da nova ordem.

Como exemplo concreto, basta lembrar que o primeiro governo provisório foi ocupado por velhos quadros monárquicos convertidos, e a política econômica do Encilhamento, conduzida por Rui Barbosa, combinou emissão de papel-moeda e crédito fácil para atender aos interesses agrários e industriais emergentes, gerando especulação e inflação. A questão costuma ser cobrada nas provas por meio da interpretação de fontes — como a frase de Aristides Lobo (“o povo bestializado”) ou caricaturas da época — pedindo que o candidato relacione a ausência de participação popular à natureza elitista e militar do novo regime, além de associar a República Velha à política dos governadores, ao coronelismo e à manutenção das desigualdades sociais e raciais herdadas da escravidão.

É comum também a exigência de comparação com outras rupturas, como a Independência e a Revolução de 1930, para avaliar continuidades e rupturas na história política brasileira.