O Primeiro Reinado: formação do Brasil como Estado-nação e crise
1. Constituição de 1824
Outorgada por D. Pedro I após dissolver a Constituinte. Criou o Poder Moderador, exclusivo do imperador, acima dos outros três; estabeleceu voto censitário e indireto; e tornou o catolicismo religião oficial. As províncias eram governadas por presidentes nomeados pelo imperador.
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A Constituição de 1824 nasceu de um confronto direto entre o imperador e a elite política: D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte em novembro de 1823 (a "Noite da Agonia"), prendendo e exilando opositores como José Bonifácio, e nomeou um Conselho de Estado para redigir o texto que outorgou em março de 1824.
O ponto central é o Poder Moderador, inspirado em Benjamin Constant, que dava ao imperador a prerrogativa de dissolver a Câmara, nomear ministros, suspender magistrados e convocar eleições — ou seja, o Executivo controlava os demais poderes na prática.
2. Reações provinciais
Confederação do Equador (1824): revolta republicana e separatista em Pernambuco e províncias vizinhas contra o autoritarismo e a Constituição outorgada. Liderada por Frei Caneca, foi reprimida com execuções. Manifestou o conflito entre centralização e autonomia provincial.
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As reações provinciais ao projeto centralizador de D. Pedro I precisam ser entendidas como resposta a um problema estrutural herdado da Independência: um Estado-nação que se construía a partir do Rio de Janeiro, mas sobre um território de dimensões continentais, com elites regionais acostumadas a forte autonomia desde o período colonial e que haviam participado ativamente do processo de emancipação — muitas vezes antes mesmo da corte. A Constituição outorgada de 1824 concentrou poderes no imperador por meio do Poder Moderador, do Conselho de Estado e do controle sobre as províncias através dos presidentes de província nomeados pelo governo central, esvaziando as câmaras municipais e as juntas governativas que haviam florescido nos anos anteriores.
Somava-se a isso a crise econômica do pós-Independência, marcada pela queda das exportações, pela pressão fiscal e pelo endividamento externo contraído para pagar indenizações a Portugal, além do desgaste político com a derrota na Guerra da Cisplatina (1825-1828) e com o autoritarismo crescente do imperador, agravado pela morte de D. Leopoldina e pelo escândalo em torno de sua amante, Domitila de Castro. Nesse caldo de insatisfação, as províncias reagiram de formas variadas: algumas apenas protestaram nas câmaras e na imprensa; outras pegaram em armas.
Esse é o contraste essencial com o Período Regencial, quando explodem movimentos como a Cabanagem (1835-1840, no Pará), a Sabinada (1837-1838, na Bahia) e a Balaiada (1838-1841, no Maranhão), já sob outra conjuntura institucional e com pautas sociais mais amplas — por isso, misturar esses episódios ao Primeiro Reinado é erro grave e frequentemente penalizado nas provas. Na Fuvest e na Unicamp, o tema costuma aparecer em questões que pedem a relação entre a Constituição de 1824, o Poder Moderador e as revoltas provinciais, exigindo que o aluno diferencie as reações do Primeiro Reinado (1822-1831) das rebeliões regenciais (1831-1840) e saiba localizar geograficamente cada movimento; no ENEM, a cobrança é mais interpretativa, com textos de época que opõem centralização e autonomia, cabendo ao candidato identificar o período correto e o caráter predominantemente elitista e provincial — não popular — das revoltas do Primeiro Reinado.
3. Crise do Primeiro Reinado
Somam-se o autoritarismo, a derrota na Guerra da Cisplatina (1825-1828, com a perda do Uruguai), a crise econômica e o déficit, o Tratado de 1826 com a Inglaterra pelo fim do tráfico, a morte de Líbero Badaró e a “Noite das Garrafadas”. D. Pedro I abdica em 7 de abril de 1831.
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A crise do Primeiro Reinado deve ser entendida como o choque entre o projeto centralizador de D. Pedro I e as novas forças políticas nascidas da Independência, sobretudo os grupos liberais que controlavam a Câmara e parte da imprensa.
O ponto central é a dificuldade de construir um Estado nacional viável num país escravista, exportador e dependente, o que transformava cada decisão do imperador em motivo de conflito: ao demitir ministros, fechar a Assembleia ou prender opositores, ele confirmava a imagem de monarca absolutista, enquanto a elite agrária temia perder autonomia provincial e o controle sobre a escravidão.