F1 · Aulas 53–54

As ditaduras na América Latina

1. Interferência, influência e interesses estadunidenses

No contexto da Guerra Fria e após a Revolução Cubana, os EUA apoiaram golpes militares para conter o comunismo, pela Doutrina de Segurança Nacional — que define o "inimigo interno" — e pela formação de oficiais na Escola das Américas. A Operação Condor articulou as ditaduras do Cone Sul na perseguição transnacional a opositores.

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A interferência estadunidense na América Latina não nasceu com a Guerra Fria, mas se intensificou nela: desde a Doutrina Monroe (1823) e o Corolário Roosevelt (1904), os EUA tratavam o continente como área de influência exclusiva, e no pós-1945 isso se traduziu em contenção sistemática de qualquer projeto nacionalista ou de esquerda. O mecanismo central era a leitura de que a pobreza e a instabilidade social abriam espaço para o comunismo, o que justificava alinhar as Forças Armadas locais a Washington por meio de acordos militares bilaterais, financiamento e treinamento e da Doutrina de Segurança Nacional, ensinada na Escola das Américas (Panamá), que redefinia o opositor interno como inimigo a ser eliminado.

2. Ditaduras na América Latina

Chile: Pinochet derruba Salvador Allende em 11 de setembro de 1973, com laboratório neoliberal dos Chicago boys. Argentina (1976-1983): a mais sangrenta, com cerca de 30 mil desaparecidos, os voos da morte e as Mães da Praça de Maio; cai após a derrota nas Malvinas. Somam-se Uruguai, Paraguai (Stroessner) e Bolívia.

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O conceito central para entender as ditaduras latino-americanas é o da Doutrina de Segurança Nacional, formulada nos EUA durante a Guerra Fria e difundida pela Escola das Américas: em vez de defender fronteiras externas, as Forças Armadas passam a combater o "inimigo interno" — comunistas, sindicalistas, estudantes e qualquer opositor —, o que justificou a institucionalização da tortura, dos desaparecimentos e da censura. Esse aparato se articulou transnacionalmente na Operação Condor (a partir de 1975), rede que coordenou a repressão entre Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil, com troca de prisioneiros e assassinatos no exterior — como o atentado que matou o ex-chanceler chileno Orlando Letelier em Washington, em 1976.