1. Interferência, influência e interesses estadunidenses
No contexto da Guerra Fria e após a Revolução Cubana, os EUA apoiaram golpes militares para conter o comunismo, pela Doutrina de Segurança Nacional — que define o "inimigo interno" — e pela formação de oficiais na Escola das Américas. A Operação Condor articulou as ditaduras do Cone Sul na perseguição transnacional a opositores.
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A interferência estadunidense na América Latina não nasceu com a Guerra Fria, mas se intensificou nela: desde a Doutrina Monroe (1823) e o Corolário Roosevelt (1904), os EUA tratavam o continente como área de influência exclusiva, e no pós-1945 isso se traduziu em contenção sistemática de qualquer projeto nacionalista ou de esquerda. O mecanismo central era a leitura de que a pobreza e a instabilidade social abriam espaço para o comunismo, o que justificava alinhar as Forças Armadas locais a Washington por meio de acordos militares bilaterais, financiamento e treinamento e da Doutrina de Segurança Nacional, ensinada na Escola das Américas (Panamá), que redefinia o opositor interno como inimigo a ser eliminado.