1. Governo de Venceslau Brás – PRM (1914-1918)
Marcado pela Primeira Guerra Mundial, que reduz importações e estimula a industrialização por substituição. O Brasil declara guerra à Alemanha em 1917. Crescem as greves operárias — a greve geral de 1917 em São Paulo, de inspiração anarquista — e chega a gripe espanhola.
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O governo de Venceslau Brás (1914-1918), representante da chamada "política do café com leite" por Minas Gerais, aprofunda a crise estrutural da Primeira República ao expor as contradições entre o modelo agroexportador e as demandas sociais emergentes. A industrialização por substituição de importações não foi fenômeno espontâneo, mas resposta à queda da capacidade de importar durante a guerra, que forçou o país a produzir internamente bens de consumo antes comprados no exterior — sobretudo tecidos, calçados e alimentos. Isso fortaleceu uma burguesia industrial urbana que passou a rivalizar politicamente com a oligarquia cafeeira, embora sem romper com ela.
Exemplo concreto é a greve geral de julho de 1917 em São Paulo, iniciada na fábrica de tecidos Cotonifício Rodolfo Crespi após aumento das horas de trabalho e redução dos salários reais pela inflação, e que paralisou a cidade com cerca de 50 mil operários, exigindo jornada de oito horas, aumento salarial e melhores condições. O movimento, liderado por anarquistas como Edgard Leuenroth, foi reprimido violentamente, mas forçou o governo a prometer leis trabalhistas que só se concretizariam décadas depois, evidenciando a questão social como problema político incontornável. A gripe espanhola, trazida por navios em 1918, matou mais de 30 mil pessoas no Rio de Janeiro e agravou o descrédito das autoridades sanitárias e oligárquicas.