Baixa Idade Média II: a crise do mundo medieval (séculos XIV-XV)
Crise geral do século XIV: esgotamento do solo e fome; a Peste Negra (1347-1350), que matou um terço dos europeus; e a Guerra dos Cem Anos (1337-1453). A escassez de mão de obra fortaleceu os camponeses sobreviventes e gerou revoltas — Jacquerie, Wat Tyler. Resultado: fim da servidão no Ocidente e centralização monárquica com apoio burguês.
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A crise do século XIV não foi um acidente isolado, mas o desfecho de um modelo econômico que já dava sinais de exaustão desde o século anterior: o sistema feudal baseava-se na exploração agrícola de baixa produtividade, e quando as terras marginais se esgotaram e o clima piorou (a chamada Pequena Idade do Gelo), a fome de 1315-1317 tornou-se o primeiro elo de uma reação em cadeia. A Peste Negra, chegada por navios genoveses a Messina em 1347, não foi apenas uma catástrofe demográfica — ao matar entre 25 e 50 milhões de pessoas, ela desorganizou completamente a relação entre terra e trabalho, fazendo os salários reais subirem e colocando senhores e camponeses em rota de colisão.
É aí que entra o exemplo concreto mais ilustrativo para a prova: a revolta dos camponeses ingleses de 1381, liderada por Wat Tyler e John Ball, que marchou sobre Londres exigindo o fim da servidão e a abolição do imposto poll tax; embora esmagada, ela forçou a Coroa a recuar e acelerou o fim do trabalho servil na Inglaterra. Esse é o padrão que a banca costuma cobrar: não basta saber que a peste matou gente, é preciso entender que ela empoderou o camponês sobrevivente e, ao mesmo tempo, criou condições para que a nobreza se reagrupasse em torno do rei — a centralização monárquica com apoio burguês nasce justamente dessa necessidade de conter revoltas e padronizar moedas, impostos e leis.
Na Fuvest e na Unicamp, o tema aparece frequentemente associado à transição para a Idade Moderna, pedindo que você relacione crise feudal, Renascimento comercial e formação dos Estados nacionais; no ENEM, costuma vir em questão de interpretação com fonte histórica sobre a Peste Negra ou os cercamentos, cobrando a ideia de que a crise não destruiu a Europa, mas a reorganizou sob novas bases.