F2 · Aula 7

Grécia antiga II

1. Período clássico (século VI ao IV a.C.)

Apogeu de Atenas. Nas Guerras Médicas contra os persas, os gregos vencem em Maratona e Salamina; Atenas lidera a Liga de Delos e converte a aliança em império. Século de Péricles: democracia direta plena, Partenon, tragédia, filosofia e historiografia.

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O Período Clássico representa o momento de maior complexidade política do mundo grego, marcado pela tensão entre a autonomia das póleis e as tentativas de hegemonia. Após as Guerras Médicas, Atenas transformou a liderança militar da Liga de Delos em instrumento de domínio: cidades aliadas eram obrigadas a pagar tributos e a adotar guarnições e governos pró-atenienses, sob pena de represálias, como ocorreu com Naxos e Tasos, que se rebelaram e foram subjugadas. Esse imperialismo financiou a democracia radical ateniense — inclusive o mistoforato, pagamento a cidadãos por participação na Assembleia e nos tribunais —, mas gerou ressentimento entre espartanos e aliados, especialmente Corinto e Mégara.

O exemplo concreto mais cobrado é a Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.): o conflito entre a Liga de Delos e a Liga do Peloponeso, narrado por Tucídides, expõe as contradições do período, com a derrota ateniense, a instalação dos Trinta Tiranos e a posterior restauração democrática.

Em síntese, dominar o Período Clássico exige articular imperialismo, democracia restrita e conflitos interimperiais, reconhecendo que o esplendor cultural ateniense foi inseparável da exploração de seus aliados e que a Guerra do Peloponeso selou o declínio da hegemonia ateniense e abriu caminho para a ascensão macedônica sob Filipe II e Alexandre.

As Guerras Fratricidas

Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.): Atenas e a Liga de Delos contra Esparta e a Liga do Peloponeso. Vitória espartana, seguida da hegemonia de Tebas. O conflito esgotou as pólis e abriu caminho para o domínio macedônico.

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As Guerras Fratricidas foram os conflitos que opuseram as próprias pólis gregas entre si, dilacerando o mundo helênico justamente no auge de sua civilização, no século V a.C., e configurando o que os historiadores chamam de "guerra civil dos gregos". O conceito-chave aqui é o da fratricídio político: cidades que compartilhavam língua, deuses, jogos e a noção de helenidade destruíram-se mutuamente por disputa de hegemonia, sem perceber que o verdadeiro beneficiário seria o invasor externo. O exemplo concreto mais cobrado é a Expedição da Sicília (415-413 a.C.), durante a Guerra do Peloponóso: Atenas enviou uma gigantesca frota para atacar Siracusa, aliada de Esparta, e sofreu uma derrota catastrófica, com a perda de milhares de hoplitas e de quase toda a esquadra — episódio narrado por Tucídides na "História da Guerra do Peloponeso", obra que funda a historiografia crítica ao buscar causas racionais e não míticas para o conflito.

2. Período helenístico (336-146 a.C.): domínio da Macedônia e fim da democracia e da autonomia da pólis

Filipe II submete a Grécia em Queroneia (338 a.C.); Alexandre conquista o Império Persa e chega à Índia. Da fusão entre culturas grega e oriental nasce o helenismo, com Alexandria e sua Biblioteca como centro. Após sua morte, o império se fragmenta e é absorvido por Roma.

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O período helenístico representa a dissolução definitiva da pólis como unidade política autônoma e a ascensão de monarquias de base territorial e pessoal, nas quais o poder se legitimava pela conquista militar e pela figura carismática do rei, não mais pela participação do cidadão nas assembleias. Após Filipe II vencer Atenas e Tebas em Queroneia (338 a.C.) e impor a Liga de Corinto, a democracia ateniense sobreviveu apenas como forma administrativa local, subordinada ao monarca macedônio; com Alexandre, o centro de gravidade do mundo grego deslocou-se para o Oriente, e as cidades passaram a integrar um império cosmopolita governado por sátrapas, guarnições e uma burocracia de inspiração persa.

O exemplo concreto mais emblemático é Alexandria do Egito, fundada em 331 a.C.: dotada da famosa Biblioteca e do Museu, tornou-se polo de síntese cultural, onde matemáticos como Euclides e Eratóstenes, astrônomos e tradutores da Septuaginta produziram saber em grego, financiados pela dinastia ptolomaica — prova de que o helenismo não foi mera fusão passiva, mas reinterpretação grega de tradições egípcias, persas e mesopotâmicas sob patrocínio real. Após a morte de Alexandre (323 a.C.), os diádocos dividiram o império em reinos rivais — Ptolomaico, Selêucida e Antigônida —, que se enfraqueceram em guerras sucessivas e foram progressivamente absorvidos por Roma, até a anexação do Egito em 30 a.C., encerrando o ciclo iniciado com a perda da autonomia grega.