1. Contexto e conceito
Fenômeno latino-americano das décadas de 1930 a 1960, ligado à urbanização e à industrialização: líder carismático em relação direta com as massas, sem mediação partidária; nacionalismo, conciliação de classes e concessão de direitos pelo alto. O termo é hoje contestado por historiadores, que apontam o protagonismo real dos trabalhadores.
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O conceito de populismo nasce da leitura de que, entre os anos 1930 e 1960, a crise do modelo agroexportador e a industrialização por substituição de importações empurraram enormes contingentes rurais para as cidades, formando massas urbanas ainda sem representação partidária consolidada; nesse vazio, líderes como Getúlio Vargas no Brasil, Juan Perón na Argentina e Lázaro Cárdenas no México construíram uma relação direta com os trabalhadores, em que o Estado se apresentava como árbitro acima das classes, concedendo direitos (CLT, salário mínimo, sindicatos tutelados, reforma agrária cardenista) e ao mesmo tempo controlando o movimento operário, enquanto o discurso nacionalista e anti-imperialista dava coesão simbólica a esse arranjo.
O caso argentino é o mais emblemático: Perón, entre 1946 e 1955, combinou os descamisados urbanos, os sindicatos da CGT, o culto à figura de Eva Perón e uma política de justiça social e industrialização que, contudo, esmagava a oposição e mantinha os trabalhadores atrelados ao Estado; no México, Cárdenas (1934-1940) nacionalizou o petróleo em 1938 e distribuiu terras aos camponeses, integrando-os ao projeto revolucionário institucional. A crítica historiográfica atual, porém, contesta o próprio termo: autores como Daniel James e Angela de Castro Gomes mostram que não havia passividade das massas, mas negociação constante, em que operários e camponeses pressionavam, resistiam e usavam os canais estatais em benefício próprio, de modo que o "populismo" seria menos uma manipulação de cima para baixo e mais uma via de mão dupla.