F2 · Aulas 65–66

O mundo pós-11 de setembro

1. Os atentados de 11 de setembro de 2001

A Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden, sequestra quatro aviões nos EUA, destruindo as Torres Gêmeas do World Trade Center e atingindo o Pentágono — cerca de 3 mil mortos. Marco de virada na política internacional: os EUA declaram a "Guerra ao Terror", redefinindo prioridades estratégicas globais por duas décadas.

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Para entender o 11 de Setembro, é preciso ir além do ataque em si e enxergar as raízes do terrorismo jihadista: nos anos 1980, durante a Guerra do Afeganistão, os EUA financiaram e armaram os mujahidin para expulsar os soviéticos, e desse caldeirão saiu justamente Osama bin Laden, que depois voltou sua máquina de guerra contra o antigo patrono, indignado com a presença de tropas americanas na Arábia Saudita, terra sagrada do Islã, e com o apoio incondicional a Israel. A Al-Qaeda nasce dessa ruptura, com uma ideologia que funde leitura radical do Islã, antiamericanismo e a ideia de jihad global contra o "Ocidente opressor". O atentado de 2001 não foi um raio em céu azul, mas o ápice de uma escalada que já tinha ido de atentados a embaixadas americanas na África (1998) até o ataque ao destróier USS Cole (2000).

No dia 11, dezenove sequestradores divididos em quatro células aéreas cumpriram o plano: dois aviões atingiram as torres, um terceiro caiu no Pentágono e o quarto, graças à reação dos passageiros, caiu na Pensilvânia, sem chegar ao alvo — provavelmente o Capitólio ou a Casa Branca. O exemplo concreto que sintetiza as consequências é a Invasão do Afeganistão, ainda em outubro de 2001, que derrubou o Talibã, mas transformou o país numa guerra de duas décadas e num fracasso estratégico, com a volta do Talibã ao poder em 2021.

2. As invasões do Afeganistão e do Iraque

O Afeganistão é invadido em 2001 para derrubar o regime Talibã, que abrigava bin Laden — guerra que se estendeu até a retirada americana em 2021, com o Talibã retomando o poder. O Iraque é invadido em 2003 sob a alegação (depois desmentida) de armas de destruição em massa, derrubando Saddam Hussein; o vácuo de poder alimentou anos de instabilidade sectária.

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As invasões do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003) integram a chamada Doutrina Bush, que instituiu a política de guerra preventiva — a tese de que os EUA poderiam atacar preventivamente qualquer país considerado ameaça, mesmo sem prova iminente de agressão — e o combate ao "eixo do mal". No Afeganistão, a Operação Liberdade Duradoura derrubou o Talibã em poucas semanas, mas a ocupação de duas décadas não consolidou um Estado estável: o novo governo de Karzai dependia de senhores da guerra e do narcotráfico, enquanto o Talibã se reorganizava no Paquistão. Já no Iraque, a invasão de 2003 ocorreu sem aval explícito do Conselho de Segurança da ONU, gerando uma grave crise diplomática entre EUA e potências como França e Alemanha.

3. A Primavera Árabe (2010-2012)

Onda de protestos populares contra regimes autoritários, iniciada na Tunísia (autoimolação de Mohamed Bouazizi) e espalhada a Egito (queda de Mubarak), Líbia (queda e morte de Kadafi, com intervenção da OTAN) e Síria. Resultados heterogêneos: transições em alguns países, guerras civis prolongadas em outros — a Síria mergulhou numa guerra civil que gerou a maior crise de refugiados do século XXI.

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A Primavera Árabe deve ser entendida não como um movimento único e coordenado, mas como uma onda de contestação que revelou a crise de legitimidade dos regimes autoritários do mundo árabe, muitos deles herdeiros de projetos nacionalistas ou dinastias familiares que governavam há décadas com apoio de aparatos repressivos e, em vários casos, de potências externas. O combustível comum foi a combinação explosiva de desemprego juvenil, corrupção endêmica, desigualdade e ausência de canais políticos legais — fatores agravados pela crise econômica de 2008 e pela difusão de informações via redes sociais, que expuseram a riqueza das elites e facilitaram a mobilização.

4. A ascensão do Estado Islâmico (ISIS)

Grupo jihadista que se aproveitou do vácuo de poder no Iraque e na Síria para proclamar um "califado" em 2014, controlando território significativo e praticando violência extrema, amplamente divulgada em vídeos de propaganda. Uma coalizão internacional (incluindo EUA, forças curdas e Rússia) derrotou territorialmente o grupo por volta de 2017-2019, embora células e ataques inspirados por ele persistam.

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A ascensão do ISIS precisa ser entendida não como um raio em céu azul, mas como produto direto da desintegração estatal pós-2003: a invasão americana do Iraque, a política de desbaathificação que jogou milhares de militares e burocratas sunitas no desemprego e na insurgência, e a guerra civil síria a partir de 2011, que abriu um vácuo de poder explorado pelo grupo. Some-se a isso o financiamento inicial via doações privadas do Golfo, o saque de bancos e a venda de petróleo no mercado negro, além do recrutamento transnacional pelas redes sociais. O conceito-chave aqui é o de Estado-parasita: o ISIS não se limitou a atuar como guerrilha; apropriou-se de instituições estatais nos territórios ocupados, cobrando impostos, emitindo documentos, administrando tribunais e serviços básicos, o que explica sua resiliência além do terror puro.